As vendas do varejo brasileiro caíram 0,8% em julho na comparação com junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o pior resultado em três meses e a segunda retração do ano. Na comparação com julho de 2025, houve alta de 1,2%.
O desempenho ficou abaixo das expectativas para o mês. A queda ocorreu no início do segundo semestre e reforça os sinais de perda de ritmo da economia. No segundo trimestre, o consumo das famílias recuou 0,4%, na primeira retração em três trimestres, conforme os dados do Produto Interno Bruto divulgados no início do mês.
A retração foi registrada em cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE. Móveis e eletrodomésticos tiveram a maior queda, de 4,9%, seguidos por livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 4,2%. Tecidos, vestuário e calçados caíram 2,7%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 2,2%; e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, 0,2%.
Três segmentos avançaram: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 0,6%; equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, também com 0,6%; e combustíveis e lubrificantes, com 0,3%. No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas cresceram 0,4% no mês.
Perspectivas para o segundo semestre
A economia deve continuar apresentando sinais de enfraquecimento no segundo semestre, na avaliação de analistas, em meio à política monetária restritiva. A Selic está em 14%, o que dificulta o crédito. O Banco Central voltará a decidir sobre a taxa básica de juros na quarta-feira (16), com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, afirmou que a queda ocorreu apesar da deflação de alimentos de 0,67% em julho e do recuo de 1,44% nos preços dos combustíveis. Para ele, o resultado pode manter o comércio abaixo do esperado nas próximas medições e afetar negativamente o PIB.
Leonardo Costa, economista do ASA, avaliou que os dados indicam desaceleração gradual e enfraquecimento nas categorias mais ligadas ao consumo discricionário.


