São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Economia

Vontobel levará sede de Zurique para Zug em meio à disputa fiscal suíça

A transferência do banco reacendeu o debate sobre impostos, empregos e receitas entre os cantões da Suíça.

Vontobel levará sede de Zurique para Zug em meio à disputa fiscal suíça
Foto: AFP

A transferência da sede do banco privado Vontobel de Zurique para Baar, no cantão de Zug, recolocou no centro do debate a competição tributária entre os cantões suíços. A partir de 2030, mais de 1.500 funcionários deverão trabalhar no novo campus, enquanto cerca de 300 empregados que atuam diretamente com clientes permanecerão em Zurique.

A Vontobel afirma que os impostos não foram o motivo da mudança. O banco precisava concentrar equipes distribuídas por sete edifícios em Zurique e escolheu Baar por oferecer um campus moderno, conexões de transporte e espaço para expansão. Fundada há 102 anos, a instituição anunciou a transferência no mês passado.

Diferenças entre os cantões

O sistema federal suíço concede aos cantões amplos poderes para definir impostos. Os municípios também estabelecem suas próprias alíquotas. Com isso, empresas e moradores ricos podem trocar de jurisdição sem deixar a mesma região econômica.

Lucerna passou a ter neste ano a menor carga tributária corporativa do país, com 11,66%, superando Zug, que cobra 11,71%. Em Zurique, a taxa é de cerca de 19%; em Genebra, de 14%. Para pessoas ricas, a alíquota máxima do imposto de renda pessoal fica em cerca de 22% em Zug e supera 40% em Genebra. Schwyz, vizinho de Zurique, também se tornou um destino procurado por causa de suas baixas alíquotas de imposto de renda pessoal.

A competição pode alcançar os tribunais. Quando há dúvida sobre o local efetivo de residência de uma pessoa, juízes analisam elementos como contas de água, compras no supermercado e a aquisição de papel higiênico para determinar qual cantão pode cobrar o imposto.

Empresas e reação local

A SGS, grupo de testes e inspeções que manteve sua sede por longo período em Genebra, concluiu neste ano a transferência para Baar. A empresa havia informado que os benefícios financeiros da mudança para Zug, incluindo incentivos, eram duas vezes maiores que os obtidos com a transferência para outro escritório em Genebra.

Genebra aprovou em 2019 uma reforma que reduziu de forma significativa as alíquotas corporativas para muitas empresas. Em 2024, os eleitores também apoiaram cortes no imposto de renda pessoal. O cantão agora negocia um acordo tributário com a Millennium Management, que avalia ampliar sua presença na região.

Em Zurique, o responsável pelas Finanças, Daniel Leupi, rejeitou a ideia de um êxodo de empresas. Ele afirmou que apenas uma das 50 maiores contribuintes corporativas da cidade se transferiu para um cantão com impostos mais baixos na última década.

Leupi estima que reduzir de 7% para 6% a alíquota do imposto estadual sobre os lucros custaria US$ 183 milhões (R$ 943 milhões) à cidade. Para compensar a perda, seriam necessárias empresas que empregassem cerca de 75 mil pessoas. Na avaliação dele, Zurique não teria espaço para recebê-las.

Heinz Tännler, diretor de Finanças de Zug, já afirmou que cidades administradas pela esquerda, como Zurique, afastam contribuintes atraídos pelo cantão. Um executivo de uma associação empresarial suíça resumiu a lógica: "É bom tentar ser melhor que seus vizinhos".

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.