ROMA — A primeira-ministra Giorgia Meloni anunciou uma proposta para mudar regras de integração nas escolas italianas, incluindo a exigência de que pais de estudantes estrangeiros com dificuldades graves aprendam italiano. A medida deve ser apresentada em breve ao Conselho de Ministros.
O plano também prevê a proibição do uso de burcas e niqabs nas escolas e um limite para a quantidade de estudantes estrangeiros em cada turma. Meloni não informou qual seria o número máximo permitido.
Idioma e composição das turmas
Ao defender a proposta, Meloni disse que a integração pode ser prejudicada quando muitos alunos não compreendem o italiano. Na avaliação dela, dificuldades restritas a poucas crianças podem ser enfrentadas com apoio de professores e colegas. Quando esses estudantes se tornam numerosos ou maioria na sala, porém, ela afirmou que deixa de haver integração e passa a existir negligência.
A primeira-ministra também declarou considerar inaceitável que crianças italianas se sintam excluídas ou se tornem minoria dentro da sala de aula. Para ela, estudantes estrangeiros devem aprender italiano, conhecer a cultura do país e respeitar as regras nacionais.
Proibição de cobrir o rosto
Meloni associou a restrição às vestimentas que cobrem o rosto à igualdade entre homens e mulheres. “Na escola, você vai com o rosto descoberto”, afirmou. Ela acrescentou que ninguém pode decidir, em nome de uma tradição real ou suposta, que uma jovem deve cobrir o rosto.
O anúncio foi feito neste domingo (20), durante um evento da ala jovem do Irmãos da Itália, partido de Meloni, em Roma. A Itália está entre os países europeus mais expostos à chegada de migrantes por sua localização no Mediterrâneo central. A integração de imigrantes, especialmente de pessoas vindas de países de maioria muçulmana, é tema controverso na política e na sociedade italianas.
No mesmo discurso, Meloni anunciou uma alteração na nomenclatura das escolas técnicas e profissionalizantes. O governo pretende aprovar uma lei que permita a essas instituições também usar o termo “liceo”, com o objetivo de reforçar a ideia de que têm o mesmo valor que os demais estabelecimentos.


