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Internacional

Placas em homenagem a vítimas do nazismo dividem cidade alemã

Veto em Heidenau reacende disputa sobre a política alemã de preservação da memória do nazismo e aproximações entre CDU e AfD.

Placas em homenagem a vítimas do nazismo dividem cidade alemã
Foto: AFP

A Câmara Municipal de Heidenau, na Saxônia, rejeitou a instalação de novas placas em homenagem a pessoas perseguidas pelo nazismo. A decisão atingiu uma iniciativa que pretendia acrescentar 12 pedras de tropeço às cinco já existentes na cidade e provocou críticas de políticos e entidades judaicas em diferentes partes da Alemanha.

As placas, conhecidas como Stolpersteine, foram criadas nos anos 1990 pelo artista alemão Gunter Demnig. Há 128 mil unidades espalhadas pela Europa, instaladas no pavimento diante da última residência ou do último local de trabalho conhecido de vítimas do regime de Adolf Hitler. Cada peça tem 10 cm x 10 cm e registra informações como nome, data de nascimento e circunstâncias da morte.

Memória no espaço público

O projeto aprovado em Heidenau foi liderado pela AfD e também recebeu apoio da CDU, partido do primeiro-ministro Friedrich Merz. A Câmara negou que a medida tivesse motivação ideológica. Os defensores do veto afirmaram que as homenagens deveriam ser transferidas para um espaço considerado mais apropriado, como um cemitério.

A prefeita Conny Oertel, que não tem partido, disse que o objetivo seria manter viva a memória das vítimas da guerra, do terror, das ditaduras, da expulsão e, especialmente, do nazismo. O argumento, porém, foi contestado por defensores das pedras, que ressaltam a função de fazer o pedestre identificar, no local onde alguém viveu ou trabalhou, a história de uma vítima.

Os nomes gravados nas placas podem estar associados a locais como Auschwitz, Birkenau, Dachau e Sobibor. Embora sejam chamadas de pedras de tropeço, elas ficam niveladas ao chão. Na Alemanha, é comum deixar flores e velas ao redor das peças. Em maio, o presidente Frank-Walter Steinmeier se ajoelhou em uma calçada de Dorsten, no noroeste do país, para limpar uma delas.

Disputa política

A controvérsia também se relaciona à chamada cultura da memória, política de Estado voltada à preservação da história alemã e dos crimes cometidos durante o nazismo. A AfD defende o fim dessa orientação e sustenta que a atual geração não deveria carregar esse peso. Hans-Thomas Tillschneider, ideólogo do partido em Saxônia-Anhalt, resumiu a posição com a frase: “Mais Bismarck, menos Hitler”.

O Comitê Internacional de Auschwitz classificou o veto como “um escândalo”. Charlotte Knobloch, presidente da Comunidade Judaica de Munique e da Alta Baviera, chamou a decisão de “um horror”. Gunter Demnig lamentou a participação da CDU e associou o episódio ao debate sobre a aproximação do partido conservador com a extrema direita.

A direção nacional da CDU inicialmente atribuiu a decisão à representação local de Heidenau. Depois, condenou o episódio e afirmou que a cultura da memória “é um pilar inegociável do Estado alemão”. Políticos de diferentes partidos pediram que a Câmara Municipal reveja o projeto.

Durante a comemoração do Dia Nacional da Reunificação, neste sábado (3), Steinmeier afirmou que ainda é preciso responder se Berlim está se tornando mais parecida com a República de Weimar. Heidenau tem 15 mil habitantes e fica no estado da Saxônia.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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