A eleição estadual da Saxônia-Anhalt, marcada para domingo (06/09), pode levar Ulrich Siegmund ao governo regional e tornar a Alternativa para a Alemanha (AfD) o primeiro partido classificado pelas autoridades como extremista de direita a comandar um estado alemão desde a formação da República Federal da Alemanha, em 1949.
As pesquisas indicam que Siegmund e a AfD têm entre 40% e 43% das intenções de voto. A disputa está concentrada na possibilidade de o partido conquistar a maioria absoluta das cadeiras do parlamento estadual ou ser contido por uma aliança dos demais partidos, que descartaram governar com a AfD.
Siegmund tem 35 anos e nasceu em Havelberg, na Saxônia-Anhalt, em 1990. Filiou-se à União Democrata Cristã (CDU) aos 19 anos e deixou o partido cinco anos depois para ingressar na AfD. Ex-vendedor de perfumes, tornou-se o principal candidato da legenda no estado e líder da bancada do partido no parlamento regional.
Durante a campanha, Siegmund atraiu público em cidades pequenas e adotou o slogan Tudo é possível. A meta é superar os 20,8% dos votos obtidos pela AfD no estado em 2021. Em um discurso, afirmou: “Não sei quando houve pela última vez um índice de aprovação tão alto, inclusive entre os jovens”.
Propostas e controvérsias
O programa da AfD prevê, entre outras medidas, deportar desde o primeiro minuto estrangeiros sem direito legal de permanência, mesmo quando sua estadia é tolerada por razões humanitárias. O plano também inclui cortes para organizações não governamentais pró-democracia, trabalho obrigatório para refugiados e prioridade ao amor à pátria alemã em relação à diversidade social.
Na educação, a legenda defende o ensino domiciliar, aulas de russo e o fim da inclusão de alunos com necessidades especiais em turmas mistas. Há dúvidas jurídicas sobre a autoridade de um governo estadual para executar todas essas promessas.
Siegmund também enfrenta questionamentos relacionados à nomeação de seu pai para um cargo. A prática não é ilegal, mas foi mal recebida inclusive dentro da AfD. Além disso, quatro ex-integrantes da organização neonazista proibida Heimattreuen Deutsche Jugend (HDJ) trabalham na bancada estadual do partido, conforme informações atribuídas ao jornal Die Welt.
A organização admirava Adolf Hitler e seguia sua ideologia racial, associada ao assassinato de 6 milhões de judeus e de centenas de milhares de sinti e roma durante o Holocausto. Em eventos de campanha, Siegmund apareceu ao lado de pessoas com roupas ou tatuagens associadas à cena neonazista, incluindo o símbolo conhecido como Sol Negro.
David Begrich, da organização Miteinander, de Magdeburgo, afirmou que uma vitória da AfD poderia transformar a Saxônia-Anhalt em um laboratório político. Igrejas, sindicatos, associações, partidos e setores da sociedade civil alertam para os riscos de uma eventual vitória. Para Begrich, o clima social poderia caminhar para uma regulamentação autoritária da vida pública, com impacto sobre minorias e pessoas que não se enquadram na visão política da AfD.


