A crise envolvendo Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal e o Banco Master passou a influenciar a disputa presidencial, com Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro entre os principais afetados. O cenário também envolve André Mendonça, Davi Alcolumbre e as denúncias sobre as relações do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A resposta de Moraes ocorreu na noite de quinta-feira (3), depois que vieram à tona revelações sobre sua relação com Vorcaro. Antes disso, havia expectativa em Brasília de algum tipo de acordo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), descartou um processo de impeachment contra Moraes e mencionou o caso “Dark Horse”, em referência aos bolsonaristas.
Também circularam sugestões de que aliados do ministro no Supremo poderiam conduzir inquéritos sigilosos contra Alcolumbre. Ao mesmo tempo, o grupo ligado a Moraes passou a trabalhar pela nulidade das ações de André Mendonça, ministro que fez acusações contra o colega. A estratégia dependeria da demora do Supremo para prolongar a crise e reduzir sua intensidade.
A disputa ganhou novo contorno com a reação de Moraes, descrita no texto como uma escalada calculada diante das revelações. Ainda não está claro o que cada envolvido possui. Mendonça apresentou, até aqui, elementos considerados mais robustos, enquanto a rede de apoio a Moraes mantém maior influência e pode tentar ampliar a nulidade para outros assuntos relacionados ao Banco Master.
Efeitos sobre a eleição
Para Lula, o custo é institucional. A associação construída com Moraes durante o mandato não seria eliminada por um pronunciamento em defesa de uma apuração clara.
Flávio Bolsonaro tenta aproveitar as iniciativas de Mendonça e pode transformar a crise no Supremo em tema eleitoral. Um eventual sucesso dos protestos de 7 de Setembro, combinado à disputa pelo tribunal, poderia alterar sua posição nas pesquisas. A estratégia, porém, envolve risco por causa da relação do senador com Vorcaro. Uma nova revelação também poderia modificar o cenário.
A percepção de que os principais grupos políticos se igualam na crise pode favorecer Augusto Cury (Avante), que avançou entre jovens ligados ao ambiente digital e entre eleitores que rejeitam Lula e Flávio. O movimento, contudo, não seria suficiente para levá-lo ao segundo turno, embora possa reduzir a distância entre os líderes.
A incerteza aparece ainda na atuação de Alcolumbre. Depois de fechar um acordo com Lula para avançar a pauta de extinção da jornada 6x1, o senador entregou apenas parte do combinado e deixou a votação final para depois do primeiro turno. O próximo movimento do Supremo permanece no centro da disputa.


