Eduardo Bolsonaro afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro adotaria uma política externa mais próxima de governos latino-americanos de direita e dos Estados Unidos. A declaração foi feita em vídeo publicado no canal oficial do ex-deputado no YouTube.
Entre as medidas citadas estão a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém e a entrada do Brasil no Escudo das Américas, apresentado por Eduardo como uma aliança de cooperação em segurança criada por Donald Trump. Ele também mencionou conversas com Marrocos sobre a disputa pelo Saara Ocidental e tratativas sobre as colinas de Golã, além de cooperação com Colômbia, Peru, Equador, Paraguai e Bolívia em temas de segurança e criminalidade.
Eduardo disse que uma eventual gestão deveria utilizar a condição de aliado extra-Otan e retornar a fóruns de combate ao antissemitismo e de memória do Holocausto. Também criticou discussões sobre aquecimento global e afirmou que relações internacionais não deveriam se limitar à participação em organismos multilaterais.
A transferência da embaixada para Jerusalém já havia sido anunciada por Jair Bolsonaro em 2019, mas não foi concretizada. Os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade como capital de um futuro Estado Palestino, enquanto Israel reivindica toda Jerusalém. Nas discussões da ONU, o status da cidade é associado ao resultado das negociações para uma solução de dois Estados. Donald Trump transferiu a embaixada americana para Jerusalém em 2018.
Possível atuação no governo
No vídeo, Eduardo se apresentou como possível participante de uma futura equipe de política externa, mas afirmou que a escolha dos ministros caberia a Flávio. Ele disse ter contatos com autoridades e citou a possibilidade de aproximar o irmão de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio. Também afirmou que Flávio já se encontrou com autoridades de Israel, Bahrein, Estados Unidos, Chile e Argentina, além de ter feito uma vídeochamada com Abelardo de la Espriella, da Colômbia.
A campanha de Flávio afirmou que Eduardo não fala pelo candidato. Uma possibilidade mencionada para o ex-deputado seria assumir a Embaixada do Brasil em Washington.
Eduardo ainda criticou o Itamaraty e o embaixador Orlando Leite Ribeiro, ao comentar um áudio sobre apoio a familiares de Lulinha na busca por escola na Espanha. Ribeiro negou ter colocado carro oficial à disposição e afirmou que a embaixada prestou apenas o apoio regular de seu setor educacional, com acompanhamento de visitas a escolas em carro de serviço.
Na quarta-feira (30), Eduardo voltou a falar em uma possível revisão do quadro diplomático e acusou alguns embaixadores de terem prejudicado o governo de seu pai. A embaixada brasileira na Espanha é chefiada por Luiz Alberto Figueiredo.


