A participação dos eleitores com mais de 70 anos ganhou peso no ciclo eleitoral, enquanto adolescentes de 16 e 17 anos se afastaram das urnas. O grupo idoso reúne 17.251.915 pessoas aptas a votar, e as pesquisas mais recentes do Datafolha indicam maior disposição para comparecer, interesse em política e preferência por Luiz Inácio Lula da Silva.
A parcela da população com mais de 60 anos subiu de 21% em 2022 para 23,6% neste ano. No eleitorado com voto facultativo, formado por pessoas acima de 70 anos, a proporção passou de 9,5% para 10,8%. O eleitorado geral cresceu 1,5% no mesmo período.
Maior presença entre os idosos
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que 45,3% dos eleitores acima de 70 anos compareceram ao segundo turno de 2022. Na ocasião, o percentual correspondia a 6,7 milhões de pessoas. Foi a maior presença desse grupo desde 2014, quando o tribunal iniciou a série histórica sobre comparecimento e abstenção.
A diferença de participação entre os turnos também foi a maior registrada até então, com aumento de 4,2 pontos percentuais no segundo turno.
Nas pesquisas realizadas em agosto e setembro, 76% dos eleitores acima de 70 anos disseram que votariam mesmo se a presença não fosse obrigatória. O índice foi de 61% entre pessoas de 60 a 69 anos e de 50% entre jovens de 16 a 24 anos. A média geral ficou em 59%.
O interesse declarado por política segue a mesma direção. Entre os mais jovens, 14% afirmaram ter grande interesse no tema. Entre os eleitores com mais de 70 anos, o percentual chegou a 37%.
Luciana Chong, diretora do Datafolha, afirma que os eleitores mais velhos são hoje uma parcela da população economicamente ativa e que esse voto pode influenciar o resultado. Para ela, o contraste com os jovens é contraintuitivo, porque a expectativa seria de maior interesse entre os mais novos.
Preferência eleitoral e temas de campanha
Na faixa de 60 a 69 anos, Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL). Entre os eleitores acima de 70 anos, Lula tem 46%, enquanto Flávio registra 35%.
A margem de erro é de 3 pontos percentuais para o grupo de 60 a 69 anos e de 5 p.p. para o eleitorado acima de 70 anos.
Segundo Chong, aposentadoria e proteção da renda têm peso maior entre os idosos. Ela também relaciona esse grupo a experiências históricas distintas das vividas pela chamada geração Lava Jato, formada, na definição da diretora, por eleitores de 35 a 44 anos que acompanharam os desdobramentos da operação e apontam a corrupção como o principal problema do país.
A aposentada Ana Velchev, de 70 anos, diz que nunca deixou de votar e ainda pesquisa antes de escolher um candidato. Para ela, o voto é uma forma de expressar opinião sobre a atuação dos governantes. “Hoje me envolvo muito mais porque percebi que, me posicionando, meus netos e filhos poderiam viver em um país livre, consciente e melhor.”
Rosangela Gallinati, professora de 64 anos, afirma que considera os impostos, a aposentadoria recebida do INSS e a saúde pública ao decidir seu voto. Ela diz que informação e participação são necessárias para cobrar ações dos governantes eleitos.
Recuo entre adolescentes
Na outra faixa em que o voto é facultativo, o número de jovens de 16 e 17 anos que tiraram o título caiu 23% em relação à eleição anterior. O contingente passou de 2,1 milhões para 1,6 milhão neste ano, equivalente a 1% do eleitorado.
A redução foi maior que a queda populacional estimada para essa faixa etária, de 5,6%, segundo projeção do IBGE. Entre as possíveis explicações apontadas estão a retomada da burocracia para emitir o título, depois de o procedimento ter sido digital durante a pandemia, e a ausência de campanhas de estímulo semelhantes às do ciclo anterior.
Distribuição regional
Rio Grande do Sul concentra a maior proporção de eleitores acima de 70 anos, com 14,5% do eleitorado. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 14,3%; Minas Gerais, com 12,7%; São Paulo, com 11,4%; e Espírito Santo, com 11,3%.
As maiores altas em relação a 2022 ocorreram no Rio Grande do Sul, com 3,8%; no Distrito Federal, com 3,6%; no Paraná, com 3,4%; e no Espírito Santo, também com 3,4%.


