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Política

Jones Manoel aponta dívida, emprego precário e falta de futuro como desafios da esquerda

Historiador afirma que a esquerda precisa responder a problemas econômicos imediatos e renovar sua comunicação com os jovens.

Jones Manoel aponta dívida, emprego precário e falta de futuro como desafios da esquerda
Foto: Rebecca Buzato/Divulgação

O historiador Jones Manoel (PSOL), candidato a deputado federal em Pernambuco, afirmou que a esquerda precisa apresentar respostas concretas para o endividamento, o custo de vida e a precarização do trabalho. Para ele, a dificuldade de comunicação nas redes sociais é consequência de um problema político mais amplo: a ausência de uma proposta de futuro capaz de mobilizar a juventude.

Uma comunicação distante da juventude

Jones disse que a esquerda demorou a ocupar as plataformas digitais e não conseguiu fazer isso de forma consistente. Na avaliação dele, quando tenta se aproximar dos jovens, frequentemente adota uma linguagem artificial, que busca parecer informal sem tratar das questões que afetam essa geração.

O historiador afirmou que a esquerda também permanece muito associada a realizações passadas. Como exemplo, citou a apresentação de programas e resultados de governos anteriores sem uma promessa clara de melhora das condições de vida. Para ele, esse tipo de mensagem não responde às expectativas de pessoas que estudaram, mas enfrentam baixa perspectiva de emprego, dificuldade para comprar uma casa e falta de estabilidade financeira.

Jones afirmou ter 36 anos, não possuir casa própria nem carro e estar fazendo doutorado. Segundo ele, seus amigos vivem situação semelhante. A geração que ingressou no ensino superior nos anos 2000 esperava alcançar emprego melhor, moradia, carro e condições para viajar, mas essas expectativas não se concretizaram.

Redes e estruturas partidárias

Na avaliação do historiador, a direita entrou antes da esquerda nas redes e ocupou o espaço digital enquanto setores progressistas ainda demonstravam resistência. Ele relacionou esse atraso à estrutura hierárquica dos partidos e ao controle político exercido por grupos familiares.

Jones também apontou que a internet permite a ascensão de pessoas fora das estruturas partidárias. Ele contou que iniciou sua militância 15 anos atrás, abriu um canal no YouTube e ganhou espaço depois que um livro seu chegou às mãos de Caetano Veloso. O músico o convidou para uma entrevista na Mídia Ninja, o que ampliou a audiência do canal. A partir daí, Jones passou a participar do debate político sem depender da aprovação de um dirigente partidário.

Ele disse ainda que as plataformas digitais não são neutras e que as big techs têm posição política. Na sua avaliação, mecanismos de recomendação favorecem conteúdos de extrema direita.

Economia e disputa política

Jones afirmou que 90 milhões de brasileiros estão endividados e criticou a ideia de que o baixo desemprego, isoladamente, indique uma situação econômica satisfatória. Para ele, considerar como emprego uma jornada de 12 horas de entregas por bicicleta não oferece uma resposta para o trabalhador.

O historiador avaliou que a extrema direita consegue explorar esse cenário ao apresentar o empreendedorismo e a redução da regulamentação como saída para quem vive de trabalhos precários. Ele defendeu uma lei de teto de juros como uma medida de apelo imediato entre famílias trabalhadoras.

Na comparação com os Estados Unidos, citou Zohran Mamdani como exemplo de uma comunicação que combina críticas ao capitalismo com propostas relacionadas a serviços públicos. No Brasil, afirmou, a esquerda radical ainda permanece restrita a um nicho. Também mencionou Guilherme Boulos, cuja campanha de 2020, segundo ele, apresentou um discurso mais voltado à moradia popular e ao enfrentamento da especulação imobiliária.

Referências e eleições

Entre os nomes da esquerda, Jones destacou Erika Hilton e Sâmia Bomfim pela capacidade de mobilizar apoiadores na internet. Na direita, apontou Nikolas Ferreira como uma liderança capaz de deslocar o debate para temas aleatórios quando surge uma pauta desfavorável ao campo conservador. Também elogiou a comunicação de Michelle Bolsonaro em um vídeo sobre a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará.

Sobre o governo, Jones disse que votará em Lula por considerá-lo o candidato mais competitivo para derrotar Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, afirmou que o presidente não realizou reformas estruturais. O historiador declarou esperar o surgimento de uma candidatura presidencial marxista competitiva em 2030 e disse que gostaria de ser esse candidato.

Para um debate, citou Nikolas Ferreira e Fernando Haddad, a quem classificou como uma liderança de centro. Jones afirmou que gostaria de apresentar ao público a diferença entre uma proposta comunista e uma progressista.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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