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Saúde

Diagnóstico de Alzheimer ganha biomarcador sanguíneo, mas indicação segue restrita a sintomáticos

Testes particulares custam de R$ 1.800 a R$ 5.000 e complementam a avaliação clínica; não há cobertura pelo SUS ou por planos de saúde.

Diagnóstico de Alzheimer ganha biomarcador sanguíneo, mas indicação segue restrita a sintomáticos
Foto: Reuters

A investigação do Alzheimer passou a contar com exames de sangue disponíveis no Brasil, mas o diagnóstico continua dependendo da avaliação clínica. Os testes são oferecidos apenas na rede particular, custam entre R$ 1.800 e R$ 5.000 e não são cobertos pelo SUS nem pelos planos de saúde.

A indicação é para pessoas acima de 55 anos que já apresentam declínio cognitivo perceptível, comprometimento cognitivo ou suspeita da doença após consulta médica. O exame não deve ser usado para rastrear pessoas sem sintomas.

O resultado serve como complemento à análise do histórico do paciente, da consulta e dos testes cognitivos. A finalidade é ajudar o médico a verificar se as alterações observadas têm relação com o Alzheimer.

O que os testes medem

A Anvisa informa que há 30 produtos regularizados para identificar biomarcadores associados à doença. A relação inclui testes feitos com sangue ou plasma e produtos que analisam o líquor, líquido que envolve o cérebro.

Entre os principais biomarcadores estão a beta-amiloide e formas da proteína tau, como a p-tau217. Essas alterações estão ligadas ao acúmulo de placas de beta-amiloide e de proteínas tau anormais no cérebro.

O neurologista Fábio Henrique Porto, presidente da Abraz em São Paulo, estima que os exames sanguíneos custem, em geral, entre R$ 2.000 e R$ 5.000. O preço varia conforme a metodologia e o laboratório.

Um dos exames disponíveis é o Precivity AD2, oferecido pelo Fleury. Ele combina marcadores de beta-amiloide e proteína tau. A coleta é realizada no Brasil, enquanto a análise ocorre nos Estados Unidos. O valor informado pelo laboratório é de cerca de R$ 4.400.

Há também testes que medem apenas a p-tau217. No Richet, laboratório da Rede D'Or, o exame custa R$ 1.800. Na Rede Dasa, os valores variam de R$ 841 a R$ 4.500.

Leonardo Oliva, geriatra e presidente da SBGG, afirma que a p-tau217 é atualmente o marcador sanguíneo mais preciso para confirmar o Alzheimer em pacientes com sintomas.

Limites para pessoas sem sintomas

Um estudo publicado em julho na Jama avaliou dados de 2.684 idosos sem sinais de perda de memória no início do acompanhamento. Em um período mediano de 5,4 anos, 478 participantes evoluíram para algum grau de comprometimento cognitivo.

Entre os participantes com níveis altos de p-tau217, o risco de evolução em cinco anos foi de 24%. Nos que apresentavam níveis muito altos, chegou a 38%. Os pesquisadores, porém, ressaltaram que os dados vieram de grupos selecionados de pesquisa, e não da população geral. Para orientar decisões clínicas em pessoas sem sintomas, os resultados ainda precisam ser validados em grupos mais representativos.

Oliva reforça que o diagnóstico permanece clínico. “Pacientes assintomáticos não devem fazer esse exame”, afirma. Segundo ele, pessoas com histórico familiar, mas sem sintomas, procuram o teste por conta própria, o que não é indicado.

Comparação com outros exames

Antes da oferta dos testes sanguíneos, a investigação de biomarcadores dependia principalmente da análise do líquor ou de exames de imagem, como o PET amiloide. Nenhum dos dois é oferecido pelo SUS ou coberto pelos planos de saúde.

Porto afirma que o exame de líquor custa de R$ 2.000 a R$ 3.000 e exige punção lombar. O PET amiloide pode chegar a R$ 10 mil e R$ 12 mil e depende de infraestrutura especializada.

Para Eduardo Zimmer, neurocientista e professor adjunto do Departamento de Farmacologia da UFRGS, a avaliação clínica identifica corretamente a doença em cerca de 70% a 75% dos casos. Com a combinação de biomarcadores, o índice pode chegar a 91%.

Porto também aponta que o exame pode facilitar o diagnóstico em fases mais iniciais e ampliar o acesso fora dos grandes centros. Segundo ele, a ferramenta pode permitir o início mais precoce do tratamento e de mudanças no estilo de vida.

Relação com os tratamentos

Para Oliva, os testes podem ampliar o acesso aos tratamentos mais recentes, indicados para fases iniciais do Alzheimer e destinados a remover placas de beta-amiloide do cérebro.

Os dois medicamentos dessa classe aprovados pela Anvisa são o lecanemabe, comercializado como Leqembi, e o donanemabe, comercializado como Kisunla. Ambos são indicados para pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve, mas não estão disponíveis no SUS nem têm cobertura dos planos de saúde.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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