SUÉCIA — A apuração das eleições parlamentares confirmou a vitória dos partidos de centro-esquerda, que ficaram com 176 das 349 cadeiras do Parlamento. O bloco de direita liderado pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson conquistou 173 assentos. Com o resultado formalizado, Kristersson solicitou sua saída do cargo nesta quinta-feira (17).
A votação ocorreu no domingo (13), e apenas 50 mil votos separaram os quatro partidos da esquerda da aliança governista. Todos os votos já foram contabilizados, mas o resultado ainda precisa passar por certificação formal nos próximos dias.
Negociação para formar o governo
Em uma carta publicada na rede social X, Kristersson afirmou que caberá ao líder do Parlamento conduzir a próxima etapa e pediu para ser dispensado da função de primeiro-ministro. A renúncia permite o início das tratativas para a formação de uma nova administração.
Magdalena Andersson, líder do Partido Social-Democrata, é cotada para voltar ao cargo de primeira-ministra após quatro anos na oposição. Primeira mulher a governar a Suécia, entre 2021-2022, ela também foi ministra das Finanças durante sete anos.
Andersson declarou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que os eleitores escolheram uma nova direção para o país e prometeu fazer a Suécia avançar. A líder social-democrata terá de conciliar as diferenças entre o Partido de Esquerda e o Partido de Centro, de tendência liberal. O Partido de Centro se opõe à participação da primeira legenda no gabinete.
O Parlamento não nomeará um novo primeiro-ministro encarregado de negociar a formação do governo antes de 29 de setembro. Depois das eleições de 2022, a formação da administração levou 37 dias. Em 2018, foram necessários 134 dias. Caso Andersson não consiga reunir apoio, o bloco de direita poderá tentar formar uma maioria.
Recuo da extrema direita
O Democratas da Suécia, partido de extrema direita, perdeu espaço pela primeira vez desde que entrou no Parlamento há 16 anos. A legenda havia avançado em votações recentes para esse tipo de partido em outros países europeus.
Durante a campanha, a direita defendeu medidas de combate à criminalidade e regras mais rígidas para a imigração. A cientista política Annika Freden, da Universidade de Lund, avaliou que a questão migratória tinha mais peso em 2015 e 2016 e que o partido não conseguiu se consolidar em outros temas.
A centro-esquerda anunciou propostas de aumento de impostos sobre bancos e rendas mais altas, com destinação dos recursos para saúde e educação, além de apoio financeiro às famílias.


