SÃO PAULO — Lucas Pavanato afirma que a divulgação de projetos e entregas de mandato costuma ter menos alcance nas redes sociais do que vídeos de confronto e opiniões apresentadas sem cautela. Vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024, ele é candidato a deputado federal pelo PL e tem 5,1 milhões de seguidores no Instagram.
Pavanato aparece como o terceiro político com maior engajamento na internet em vários rankings, atrás do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e da candidata ao Senado Michelle Bolsonaro. Ele atribui o desempenho à alternância entre humor, comentários políticos, debates, entrevistas de rua e experimentos sociais. O conteúdo é produzido principalmente para o Instagram e replicado em outras plataformas.
Comunicação e mandato
Para o vereador, a linguagem das redes exige uma postura diferente da adotada pela mídia tradicional. Ele afirma que busca falar de maneira autêntica, expor opiniões e usar ironia. Na avaliação dele, esse formato ajuda a explicar por que conteúdos de confronto atraem mais atenção do que iniciativas legislativas.
“Eu não tenho como forçar uma entrega de emenda a viralizar tanto quanto eu debatendo com uma figura de esquerda”, afirmou. Pavanato disse também que é um dos vereadores mais atuantes e que conseguiu barrar projetos que classificou como pró-aborto, de esquerda e mais socialistas em termos econômicos.
O vereador defendeu ainda a presença de confrontos em universidades. Segundo ele, os vídeos servem para denunciar o que considera uma hegemonia de pensamento nesses ambientes. Pavanato citou o caso de um jovem de esquerda confundido com um neofascista e espancado por alunos na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Críticas à regulação
Pavanato criticou propostas de regulamentação das redes sociais no Brasil. Ele afirmou que setores do centro e da esquerda tentam restringir a concorrência na comunicação por não saberem usar as plataformas da mesma forma que a direita.
O político disse que conteúdos seus são limitados no TikTok e avaliou que as plataformas deveriam oferecer mais transparência sobre os critérios de moderação, além de mecanismos para contestar a remoção de publicações ou a suspensão de perfis. Também citou como possibilidades a exigência de CPF no perfil e a restrição de material sexualmente explícito para menores de idade.
Ele afirmou não confiar no governo federal para conduzir a regulamentação. Ao comentar a proposta do governo Lula, mencionou a previsão de um comitê responsável por julgar conteúdos. Pavanato também disse que, na eleição anterior, houve limitações a conteúdos de direita a pedido do TSE, mas avaliou que a disputa atual está equilibrada.
Estratégia eleitoral
Na avaliação de Pavanato, candidatos ao Executivo precisam adotar um discurso mais moderado para alcançar a maioria dos eleitores. Já em uma eleição legislativa, ele disse que pode se concentrar em seu próprio nicho e não precisa ultrapassar a bolha política em que atua.
Ele atribuiu o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas a uma estratégia de marketing e afirmou que influenciadores falaram sobre o candidato ao mesmo tempo. Também avaliou que o deputado Flávio Bolsonaro tenta manter uma postura mais amena para disputar o Executivo.
Sobre críticas que recebeu, Pavanato reconheceu que já errou ao tentar comentar todos os assuntos. Disse que atualmente fala mais apenas quando tem certeza sobre o tema e toma mais cuidado com as declarações.


