A Polícia Federal identificou indícios de irregularidades na transferência de R$ 7,15 bilhões em créditos da Tirreno Consultoria Promotoria de Créditos e Participações para o Banco Master, em operações realizadas em 2024 e 2025. O laudo aponta problemas na origem dos empréstimos e sinais de que parte dos registros pode ter sido criada artificialmente.
O documento teve o sigilo retirado na noite desta quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelas principais investigações relacionadas ao Banco Master em tramitação na Corte.
Origem dos créditos
A PF afirmou que a Tirreno não apresentava capacidade compatível com a geração ou concessão dos empréstimos transferidos. Na análise da carteira, os investigadores encontraram repetição incomum de valores, contratos com características replicadas e concentração de atributos semelhantes.
A empresa havia sido criada com o nome SX 016 Empreendimentos e Participações e passou a se chamar Tirreno. Sua constituição ocorreu em novembro de 2024, um mês antes da primeira cessão de créditos ao Master, no valor de cerca de R$ 280 milhões.
O laudo também não encontrou comprovação de que o Banco Master tenha efetivamente pago à empresa pelos direitos creditórios. Conforme a PF, a única conta da Tirreno identificada no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) foi aberta em 23/05/2025, depois de todas as cessões examinadas, e não registrou movimentação financeira.
“A única conta corrente de titularidade da empresa identificada no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS), foi aberta apenas em 23/05/2025”, diz o laudo.
Posteriormente, os direitos creditórios teriam sido repassados ao Banco Regional de Brasília (BRB), que está no centro das investigações sobre a carteira adquirida e sobre o caso envolvendo o Master. A atual gestão do BRB relaciona à crise um rombo de R$ 8,8 bilhões, associado a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.


