A CNN afirmou que a decisão anunciada por Donald Trump representa um ataque ilegal à liberdade de imprensa e declarou que sua cobertura é justa, precisa e protegida pela Constituição dos Estados Unidos. A emissora reagiu depois de o presidente informar que a rede, o site Politico e a MS NOW, antiga MSNBC, estão impedidos de acessar a Casa Branca.
Trump fez o anúncio nesta sexta-feira (18), em uma publicação no Truth Social. Ele acusou os três veículos de divulgar notícias falsas e deixou aberta a possibilidade de estender a restrição a outros meios de comunicação. O presidente não apresentou exemplos do conteúdo que considera falso nem explicou detalhes sobre a execução da medida.
“Isso se deve ao fato de que esses veículos de mídia constantemente 'reportam' notícias falsas!”, escreveu Trump. Em outra publicação, afirmou que os veículos não deveriam divulgar “FICÇÃO e MENTIRAS” durante a cobertura do presidente e do governo.
Questionado sobre a razão de adotar a medida neste momento, Trump disse que se trata do acúmulo de reportagens dos últimos dois anos. Também afirmou que os veículos publicam notícias negativas de propósito para prejudicar os republicanos e uma administração republicana.
A decisão ocorre a poucas semanas das eleições de meio de mandato. O partido de Trump enfrenta a possibilidade de perder o controle de pelo menos uma das câmaras do Congresso. Pesquisas de opinião recentes indicam maior motivação dos democratas para votar, enquanto os índices de aprovação do presidente seguem em baixa acentuada.
Trump reconheceu que a proibição pode ser questionada na Justiça. Ele citou uma tentativa semelhante contra a CNN durante seu primeiro período na Casa Branca, entre 2017 e 2021. Em 2018, o governo retirou a credencial de Jim Acosta, então correspondente da emissora, mas um juiz federal determinou a restauração do acesso.
O presidente também já havia atacado a CNN e a MSNBC em março de 2025. Na ocasião, disse que as duas emissoras publicavam “97,6% de coisas ruins” sobre ele e as classificou como braços políticos do Partido Democrata. Trump costuma criticar veículos de comunicação desde o primeiro mandato e já chamou jornalistas de “inimigos do povo” e “produtores de fake news”.
Desde o início do segundo mandato, em janeiro de 2025, o governo também pressionou a Associated Press e facilitou o acesso à Casa Branca de influenciadores, blogueiros e outros veículos alinhados a Trump. A agência foi impedida de acompanhar entrevistas coletivas no Salão Oval após se recusar a usar a expressão “golfo da América”, adotada pelo presidente para se referir ao golfo do México. A AP manteve a nomenclatura reconhecida fora dos Estados Unidos.
Em março de 2025, o V-Dem, instituto ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, informou que os Estados Unidos perderam, pela primeira vez em 50 anos, o status de democracia liberal e passaram a ser considerados uma democracia eleitoral. No relatório referente a 2025, o instituto alertou para o declínio da democracia americana durante o governo Trump.


