A aprovação do Aquipta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi apoiada por dois estudos de fase 3 que avaliaram a eficácia, a segurança e a tolerabilidade do atogepanto em adultos com enxaqueca episódica ou crônica. O registro do medicamento foi publicado nesta terça-feira (8) no Diário Oficial da União.
No estudo Advance, 910 participantes receberam atogepanto 60 mg uma vez ao dia. A redução média foi de 4,1 dias mensais de enxaqueca, ante 2,5 dias entre os participantes que receberam placebo. Também houve redução de pelo menos 50% na frequência das crises para 59% dos pacientes, contra 29% no grupo de comparação.
O Progress acompanhou 778 adultos com enxaqueca crônica durante 12 semanas. Nesse grupo, o uso diário de atogepanto 60 mg levou a uma redução média de 6,9 dias mensais de enxaqueca, enquanto o placebo resultou em redução de 5,1 dias. O estudo também registrou melhora na qualidade de vida.
Indicação e funcionamento
Fabricado pela AbbVie, o Aquipta é um medicamento oral disponível nas dosagens de 10 mg e 60 mg. A indicação é para adultos com pelo menos quatro episódios mensais de crises recorrentes de dor de cabeça moderada a grave que respondem de forma insuficiente aos tratamentos disponíveis.
Segundo Francine Mendonça, neurologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o atogepanto bloqueia o receptor do CGRP, substância envolvida na transmissão da dor e nos mecanismos da enxaqueca. Nos dois estudos, os eventos adversos foram predominantemente leves ou moderados, com ocorrência de náusea, constipação e fadiga.
Ainda não há previsão para o medicamento chegar às farmácias do país. O preço dependerá de análise da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
A enxaqueca é uma doença neurológica marcada por crises recorrentes de dor moderada a grave, que podem ser acompanhadas de enjoo, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. A condição afeta cerca de 15% da população mundial.
O atogepanto amplia as opções de prevenção por via oral voltadas à via do CGRP, mas não é o primeiro medicamento oral disponível para enxaqueca no Brasil. Em maio deste ano, a Anvisa aprovou o Nurtec ODT (rimegepanto), indicado para o tratamento agudo e a prevenção da forma episódica em adultos com pelo menos quatro crises por mês.
Entre outras alternativas estão analgésicos, anti-inflamatórios, triptanos, antidepressivos, antiepilépticos, medicamentos para controle da pressão arterial, anticorpos monoclonais e toxina botulínica. Terapias mais recentes não fazem parte da oferta nacional de rotina do SUS para prevenção, que inclui opções como amitriptilina e propranolol.
"Sempre bom adicionar que o cuidado para enxaqueca também inclui sono regular, atividade física, e sempre atenção ao uso excessivo de medicamentos para alívio da dor", afirma Mendonça.


