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Saúde

Novo remédio para AME atua diretamente na preservação muscular

A FDA autorizou o apitegromabe após estudo com 188 pacientes; a Scholar Rock também testa o medicamento com tirzepatida.

Novo remédio para AME atua diretamente na preservação muscular
Foto: Scholar Rock/Divulgação

A aprovação do apitegromabe pela FDA abre uma frente de tratamento para a atrofia muscular espinhal (AME) que atua diretamente no músculo. Comercializado como Isembyld, o medicamento é fabricado pela farmacêutica americana Scholar Rock e foi autorizado para a doença rara associada à perda muscular.

A AME afeta os neurônios motores espinhais, responsáveis por levar aos músculos os comandos enviados pelo cérebro por meio da medula espinhal. Sem esses estímulos, o músculo enfraquece e sofre atrofia. A doença pode comprometer movimentos, deglutição e respiração. Em estágios avançados, pode levar à perda da capacidade de caminhar ou de se movimentar sem ajuda.

Como o medicamento funciona

O apitegromabe é um anticorpo monoclonal que inibe a ativação da miostatina, proteína produzida pelo organismo que limita o crescimento muscular e também acelera a degradação dos músculos. A explicação é do endocrinologista Clayton Macedo, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e diretor de comunicação da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Segundo Macedo, o remédio age sobre a pró-miostatina, estrutura que impede a ligação da miostatina ao receptor e evita sua transformação na forma ativa. Assim, o tratamento reduz a ativação dessa proteína.

Os tratamentos já disponíveis para a AME atuam no gene SMN2, relacionado aos neurônios que controlam os movimentos. O apitegromabe tem como alvo direto o músculo.

Resultados do estudo

A eficácia e a segurança do Isembyld foram avaliadas durante um ano em um estudo com 188 pacientes com AME tipo 2 ou 3, entre 2 e 21 anos. Os participantes não caminhavam e já recebiam algum tratamento voltado ao gene SMN2. Os resultados, publicados em agosto do ano passado na revista The Lancet Neurology, indicaram melhora da função motora.

O ensaio clínico de fase 3, duplo-cego e realizado para confirmar segurança e eficácia em um grupo maior, foi conduzido pela Johns Hopkins Medicine, em Baltimore, em 48 hospitais.

Entre os pacientes de 2 a 12 anos, 156 foram distribuídos aleatoriamente para receber apitegromabe nas doses de 20 mg/kg ou 10 mg/kg, por infusão intravenosa, ou placebo a cada quatro semanas. O grupo de 13 e 21 anos reunia 32 participantes, que receberam 20 mg/kg do medicamento ou placebo no mesmo intervalo.

Ao todo, 128 pacientes receberam apitegromabe e 60 receberam placebo. Entre os participantes de 2 a 12 anos tratados com o medicamento, a melhora foi 1,8 maior. Na dose de 20 mg/kg, a diferença média em relação ao placebo foi de 1,4 ponto.

Os pesquisadores registraram incidência semelhante de efeitos adversos nos grupos. Os eventos eram compatíveis com a AME e com o tratamento de base, mas incluíram aumento do risco de fraturas entre os pacientes medicados. O Isembyld também pode causar danos ao feto e afetar a função reprodutiva.

Avaliação com tirzepatida

A Scholar Rock iniciou outro estudo para avaliar se o apitegromabe pode preservar massa muscular perdida durante o emagrecimento provocado pelas chamadas canetas emagrecedoras. O teste combina o Isembyld com tirzepatida, comercializada como Mounjaro, em pacientes com obesidade.

O estudo foi realizado pelo AdventHealth Translational Research Institute, na Flórida. Na fase 2, randomizada e duplo-cega, participaram 102 adultos com sobrepeso ou obesidade. Eles receberam, durante 24 semanas, tirzepatida associada ao apitegromabe ou tirzepatida com placebo. Os resultados foram publicados em junho na revista Nature Medicine.

A perda total de peso foi semelhante nos dois grupos. Em comparação com o placebo, os participantes que receberam apitegromabe perderam, em média, 1,9 kg a menos de massa magra, o que correspondeu a uma preservação 54,9% maior dos músculos. A incidência de efeitos adversos também foi próxima: 76% no grupo do apitegromabe e 71% no grupo placebo.

Para Clayton Macedo, a melhora foi discreta e parcial. O medicamento reduz, mas não elimina, a perda de massa magra associada às canetas emagrecedoras e não promove ganho muscular. O endocrinologista também afirma que pessoas com obesidade e pacientes com diabetes apresentam níveis elevados de miostatina.

A FDA ainda não aprovou o apitegromabe para usuários de canetas emagrecedoras. A indicação depende da conclusão da fase 3 e de um período maior de avaliação da segurança. Para uso no Brasil, o medicamento também precisaria ser aprovado pela Anvisa.

Custo informado pela empresa

De acordo com a empresa, um paciente com peso entre 35 kg e 45 kg que receba três frascos a cada quatro semanas teria um custo anual de US$ 310 mil, cerca de R$ 1,6 milhão. Uma dose única custaria US$ 11.659, equivalente a R$ 60 mil.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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