As apostas em uma elevação dos juros pelo Federal Reserve em setembro passaram de cerca de 70% para mais de 80% após a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos. A decisão será tomada na reunião do comitê de política monetária marcada para a próxima terça (15) e quarta-feira (16).
O índice anual de preços ao consumidor ficou em 3,4% em agosto, no mesmo nível de julho. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Bureau of Labor Statistics, veio em linha com as expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg.
Os combustíveis foram o principal fator de pressão sobre os preços. A gasolina respondeu por um terço da alta mensal de 0,4%. O relatório saiu em meio à valorização do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. O Brent superou US$ 100 (R$ 508) por barril nesta semana, pela primeira vez desde julho.
A inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, ficou em 2,4%, ante 2,5% em julho. Para Kurt Lewis, do banco de investimento Piper Sandler, o resultado foi suficiente para reforçar a possibilidade de uma alta. “Vamos ter uma alta agora”, disse.
Na última reunião, em julho, três dos 12 integrantes com direito a voto no Fomc romperam com a maioria e defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. Os dirigentes decidiram manter os custos de financiamento na faixa de 3,5% a 3,75%.
Os mercados também reagiram nos títulos do Tesouro americano. O rendimento dos papéis de 2 anos subiu 0,07 ponto percentual, para 4,62%. O retorno dos títulos de 10 anos permaneceu em 4,94%, pouco abaixo do maior nível em três anos registrado recentemente.
O índice de gastos de consumo pessoal, conhecido como PCE e mais utilizado pelo Banco Central dos EUA, marcou 3,7% em julho. A medida permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos.
Tom Simons, economista da Jefferies, afirmou que o relatório mostrou aumento dos gastos dos consumidores com viagens. Ele disse que esse movimento é “um argumento de que pode ser hora de o Fed elevar os juros”, mas ponderou que a alta dos combustíveis ainda não chegou aos preços dos alimentos.


