O Federal Reserve elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,75% a 4% ao ano. A decisão interrompeu cinco reuniões seguidas sem mudança nos juros e foi a primeira elevação desde julho de 2023.
A alta ocorreu em meio à valorização do petróleo associada ao aumento das tensões no Oriente Médio. O movimento reforçou as preocupações do banco central americano com a inflação. Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica continua avançando em ritmo sólido e que “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”. O comitê também mencionou a incerteza elevada provocada por “acontecimentos geopolíticos”.
A decisão considera o duplo mandato do Federal Reserve: conter a inflação e buscar o nível máximo de emprego.
Mudanças no comando do Fed
Essa foi a 14ª decisão de juros desde que Donald Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2025. No período, houve quatro cortes, em um cenário descrito como incerto e marcado por conflitos geopolíticos e pela guerra tarifária promovida pelo republicano.
Kevin Warsh está à frente do banco central americano desde 22 de maio, quando tomou posse. O mandato de quatro anos começou oficialmente depois de uma cerimônia na Casa Branca. A reunião desta quarta-feira foi a terceira sob sua condução.
Warsh foi indicado por Trump após meses de atritos entre o presidente e Jerome Powell, antecessor no comando da instituição. Desde o início do segundo mandato, Trump critica o nível dos juros e defende reduções para evitar que o crédito mais caro prejudique a economia.
Reflexos para o Brasil
Juros mais altos nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos públicos americanos, conhecidos como Treasuries. Com retornos maiores, esses papéis podem estimular a transferência de recursos estrangeiros para os EUA e fortalecer o dólar.
Essa dinâmica, embora dependa de outras variáveis, tende a diminuir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil e a pressionar o real ante a moeda americana.
Mesmo com a decisão do Fed, a expectativa é de que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão estava prevista para as 18h30 desta quarta-feira, em um contexto de inflação dentro da margem de tolerância da meta do Banco Central.


