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Economia

Bolsa Família: custo maior em 2027 divide avaliação de economistas

Reajuste eleva benefício mínimo a R$ 691 e gera divergências sobre metas fiscais, despesas públicas e trajetória dos gastos.

Bolsa Família: custo maior em 2027 divide avaliação de economistas
Foto: Folhapress

O reajuste do Bolsa Família deverá acrescentar R$ 5,8 bilhões às despesas públicas em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027, conforme estimativa do governo. Anunciada nesta quinta-feira (17), a medida elevará o repasse mínimo por família de R$ 600 para R$ 691, uma alta de 15%.

A avaliação sobre o efeito fiscal, porém, não é uniforme. Parte dos economistas considera possível absorver o custo sem comprometer a meta fiscal zero de 2026. Outros apontam que o aumento tende a dificultar o cumprimento dos objetivos fiscais nos anos seguintes.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren, afirmou que o reajuste está de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Eleitoral. Em relatório assinado também por Josué Pellegrini e Daniel Ferraz, ele avaliou que o impacto adicional pode ser acomodado em 2026 porque algumas despesas obrigatórias, especialmente benefícios previdenciários, estariam acima do que deve ser efetivamente observado.

A análise da Warren considera mais difícil a situação de 2027. Naquele ano, o governo precisará melhorar o resultado primário para atingir a meta fiscal. O intervalo inferior previsto para o superávit é de R$ 36,6 bilhões, enquanto a meta de 2026 é zero. O governo também estabeleceu um superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões. Para a equipe, o impacto anual projetado do reajuste é de R$ 23,2 bilhões, o que amplia o desafio.

Divergências sobre as contas públicas

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, disse que a questão fiscal é um dos principais pontos da decisão. Na avaliação dele, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida não afetaria o Orçamento, mas o reajuste poderia exigir crédito extraordinário financiado fora do arcabouço fiscal.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, afirmou que o benefício pode influenciar o consumo por ser destinado a famílias de menor renda. Para ela, a preocupação central está na percepção sobre a trajetória das despesas públicas. Caso o reajuste seja pontual, esteja previsto no Orçamento e não seja seguido por novas despesas, o efeito tende a ser menor. Se indicar outros aumentos, pode elevar a percepção de risco no Brasil.

A Fiemg criticou a medida por considerar que ela amplia as despesas públicas em período eleitoral. O economista-chefe da entidade, João Gabriel Pio, defendeu a combinação entre política social e responsabilidade fiscal e disse que decisões voltadas ao curto prazo podem produzir efeitos após as eleições.

Os valores do programa não eram reajustados desde a reformulação ocorrida em março de 2023. Em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o então Auxílio Brasil teve o repasse mínimo elevado de R$ 400 para R$ 600, em agosto, com aumento de 50% e promessa de permanência.

CNI e CNC informaram que não comentariam. Fiesp, FecomercioSP e Abras também foram procuradas, mas não responderam até a publicação.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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