O governo federal apresentará na próxima quinta-feira (24) as medidas fiscais que, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, vão acomodar o reajuste de 15% do Bolsa Família. A previsão é que a mudança tenha custo de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22,7 bilhões no próximo, conforme estimativas do Palácio do Planalto.
Durigan afirmou que o Executivo indicará despesas previdenciárias que deixarão de ser executadas para abrir espaço ao programa. "Esses R$ 5,8 bilhões vão sair de algum lugar, e nós vamos acomodar", disse o ministro. Ele também negou que a medida, anunciada a menos de um mês das eleições presidenciais, tenha caráter meramente eleitoreiro.
Correção pela inflação
De acordo com Durigan, o reajuste não representa uma elevação geral das despesas federais. A finalidade seria recompor a inflação e preservar o poder de compra das famílias atendidas pelo Bolsa Família.
O cálculo considera a alta de 15,04% acumulada entre março de 2023, quando começou a vigorar a reformulação do programa, e agosto deste ano. O índice adotado é o INPC, que acompanha famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. No mesmo intervalo, o IPCA acumulou alta de 16,3%.
Considerando agosto de 2022, quando o benefício passou a R$ 600, a reposição pelo INPC chegaria a 17,5%, elevando o valor para R$ 705. Essa referência corresponde ao período do governo de Jair Bolsonaro.
Medidas sobre apostas
O ministro disse ainda que o governo discute ações de endurecimento contra as bets, mas que não há decisão tomada. Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante comício em Guarulhos (SP), que, se depender de sua vontade pessoal, vai "acabar com as bets".
Informações do Ministério da Fazenda mostram que as empresas autorizadas a operar em nível federal receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos ao longo de 2025. Desse montante, R$ 36,9 bilhões corresponderam ao saldo negativo dos apostadores e viraram receitas das casas de apostas.
Durigan também mencionou estudos para reduzir o endividamento da população. Uma das possibilidades é usar recursos públicos para comprar dívidas antigas de consumidores que estão nos bancos e têm baixa probabilidade de recuperação, mas não foram divulgados detalhes.


