O governo anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, com início dos pagamentos em 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais. A medida deverá custar R$ 22,7 bilhões a quem comandar o Palácio do Planalto no próximo ano.
A correção foi apresentada quando faltavam 17 dias para o primeiro turno. A avaliação na campanha petista é que o benefício pode ajudar a deslocar o debate eleitoral, em um momento de avanço da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e de discussões envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Flávio é formalmente investigado no inquérito sobre a produção do filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro. O senador também é citado nas discussões sobre seu possível envolvimento com Daniel Vorcaro. Ainda assim, os desdobramentos do escândalo do Banco Master e a disputa no Supremo Tribunal Federal tiveram pouco impacto sobre sua candidatura, conforme a avaliação apresentada no texto.
Regras fiscais e comparação com 2022
A legislação fiscal permite a recomposição da inflação sem medidas compensatórias. A restrição vale para a criação de novos benefícios ou para reajustes acima da inflação. O ponto questionado é a falta de previsão mais precisa dos custos no projeto de lei orçamentária de 2027, enviado ao Congresso em agosto.
A medida também foi comparada à adotada por Jair Bolsonaro em 2022, quando o Auxílio Brasil, antecessor do Bolsa Família, passou de R$ 400 para R$ 600. Naquele ano, o benefício teve aumento de 50%, superior ao reajuste anunciado agora, mas a decisão de Lula ocorreu mais perto da eleição.
O anúncio ainda dificulta a promessa do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de estabelecer um teto de gastos mais restritivo para demonstrar compromisso com o controle da alta da dívida pública. A avaliação é que, diante de uma campanha sem mobilização, o reajuste se tornou a principal iniciativa eleitoral do governo.


