São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Economia

Receita deve atingir 23,7% do PIB, mas déficit continua previsto para 2026

Estimativa da equipe econômica aponta arrecadação recorde em relação ao PIB, enquanto despesas mantêm as contas públicas no vermelho.

Receita deve atingir 23,7% do PIB, mas déficit continua previsto para 2026
Foto: Reprodução/Pixabay

A arrecadação do governo federal deve alcançar R$ 3,24 trilhões em 2026, equivalente a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual supera o recorde anterior, registrado em 2010, último ano do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, quando a receita correspondeu a 23,6% do PIB.

A série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional começa em 1997. Considerando o período entre 1997 e 2025, a receita total média foi de 21,4% do PIB. O cálculo inclui a arrecadação de tributos federais e outros ingressos, como royalties, concessões e dividendos, sem contabilizar receitas de estados e municípios. Os valores são corrigidos pela inflação para permitir comparações ao longo do tempo.

Petróleo e medidas tributárias

A proposta de orçamento para o próximo ano prevê uma pequena redução da receita total em relação ao tamanho da economia: 23,4% do PIB, ou R$ 3,46 trilhões.

Entre os fatores que sustentam a arrecadação está a exploração de petróleo. A estimativa é que essa fonte gere R$ 172,1 bilhões em 2026, correspondentes a 1,3% do PIB, ante R$ 139,3 bilhões em 2025, ou 1,1% do PIB. A alta é associada ao preço do produto no mercado externo, impulsionado pela guerra no Oriente Médio.

O governo também adotou medidas de aumento ou recomposição de receitas. Entre elas estão mudanças na tributação de fundos exclusivos e offshores, alterações sobre incentivos concedidos por estados, aumento de impostos sobre combustíveis, reoneração gradual da folha de pagamentos, fim de benefícios para o setor de eventos, taxação das bets, elevação do IOF sobre crédito e câmbio, aumento da tributação de fintechs e redução de benefícios fiscais.

Também houve elevação do imposto de importação de mais de mil produtos e criação de imposto de exportação sobre petróleo. Em sentido contrário, a faixa de isenção do Imposto de Renda foi ampliada para quem recebe até R$ 5 mil por mês, ou R$ 60 mil ao ano. A medida será efetivada na declaração de 2027. O governo ainda criou um desconto progressivo menor para rendas de até R$ 7.350 mensais.

Despesas mantêm pressão sobre as contas

Apesar do avanço das receitas, analistas projetam a continuidade dos déficits públicos. Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, afirmou que o aumento de tributos e a valorização do petróleo sustentam a arrecadação mesmo com a perda de ritmo da atividade econômica. Para ela, o governo deve registrar déficit primário próximo de 0,5% do PIB, resultado que pode ser pior que o de 2025.

Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV IBRE, atribuiu o desequilíbrio ao crescimento das despesas em ritmo superior ao da arrecadação. “A nossa receita até aumentou, mas os nossos gastos aumentaram mais ainda”, afirmou.

Na proposta de orçamento de 2027, a equipe econômica incluiu um capítulo sobre medidas de recomposição das receitas e mudanças estruturais na tributação. O documento menciona iniciativas como a tributação de offshores, o aumento do imposto sobre cigarros, o fim do benefício ao setor de eventos, a redução gradual da desoneração da folha, a alta do IOF e o aumento do imposto sobre produtos importados.

A receita total não deve ser confundida com a carga tributária da economia. Esse indicador somou 32,1% do PIB em 2024 e inclui tributos de estados e municípios. O resultado de 2025 ainda não saiu.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.