O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou estar profundamente chocado com a vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual da Saxônia-Anhalt. A votação ocorreu no domingo (6), e a declaração foi feita nesta segunda-feira (7). Merz descreveu o resultado como sísmico e disse que ele abalou a União Democrata-Cristã (CDU), seu partido.
A AfD obteve 43,8% dos votos, mais que o dobro do desempenho anterior no estado. A CDU ficou com 17,2%, uma queda de 20 pontos em relação ao pleito passado. Para Merz, trata-se da derrota eleitoral mais dura da legenda em décadas. “Desistir não é uma opção para mim”, afirmou, ao rejeitar a possibilidade de renunciar.
Pressão por uma maioria no estado
A AfD elegeu 39 dos 83 parlamentares do Legislativo estadual, sem alcançar maioria absoluta. O partido tenta agora obter apoio de deputados da CDU para formar um governo. Se conseguir, será a primeira vez que uma legenda de extrema direita assumirá o poder em nível estadual na Alemanha do pós-guerra.
Tino Chrupalla, copresidente nacional da AfD, pediu a parlamentares democrata-cristãos que apoiem uma maioria conservadora de centro-direita na Saxônia-Anhalt. “Jogos partidários realmente deveriam ser coisa do passado”, disse ele a uma rádio alemã.
A recusa dos partidos tradicionais em cooperar com a AfD é conhecida como muro de contenção. A legenda considera essa política antidemocrática. O BSW, partido populista de esquerda, foi a única sigla alemã a sinalizar disposição para trabalhar com a AfD. Os dois partidos defendem restrições à imigração, o fim do apoio alemão à Ucrânia e a retomada dos laços com Moscou.
Política externa e reação internacional
Merz disse que manterá, em linhas gerais, a agenda de reformas do governo e não mudará sua posição sobre a Rússia. Ele afirmou que a interrupção do apoio à Ucrânia agravaria a situação e que a liderança russa busca desestabilizar os valores do Ocidente.
O chanceler também reconheceu que seus índices de popularidade, nos níveis mais baixos já registrados, contribuíram para o resultado. A CDU e a coalizão deverão avaliar mudanças depois das eleições regionais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, previstas para duas semanas.
Na França, o ministro das Finanças, Roland Lescure, classificou a votação como um sinal muito preocupante. Ele afirmou que o resultado mostra um desafio relacionado à expansão de movimentos populistas. A França terá eleições nacionais no ano que vem.
A AfD recebeu 50% dos votos entre os homens e 39% entre as mulheres, conforme levantamento citado no texto. Seus eleitores tendem a apresentar menor estabilidade econômica e menor escolaridade. A Saxônia-Anhalt tem pouco mais de 2 milhões de habitantes, integrou a Alemanha Oriental e está entre os estados mais pobres do leste alemão.
Alice Weidel, outra copresidente nacional da AfD, chamou o resultado de marco e disse que o partido pretende alcançar ao menos 40% na próxima eleição nacional, prevista para 2029. A votação estadual não altera a composição do governo federal alemão.


