O preço do whey protein aumentou com a expansão do consumo global, enquanto a indústria enfrenta dificuldades para elevar a oferta da proteína obtida do soro do leite. O suplemento passou a ser usado não apenas em shakes e barrinhas, mas também em bebidas, biscoitos, pães e outros alimentos.
No varejo brasileiro, o volume de vendas cresceu 124% entre janeiro e outubro de 2025, segundo levantamento da consultoria Scanntech. Especialistas relacionam o avanço à maior procura pela matéria-prima. O uso de canetas emagrecedoras também contribuiu para a demanda, já que pessoas que utilizam esses medicamentos são orientadas a aumentar a ingestão de proteínas.
Para Carlos Alberto Werutsky, nutrólogo e diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), o whey passou a ser recomendado a usuários desses medicamentos para reduzir a perda muscular. “Os suplementos proteicos, principalmente o whey, passaram a ser indicados para indivíduos que usam canetas emagrecedoras em todo o mundo”, afirmou.
Produção e preço
O whey é produzido a partir do soro resultante da fabricação de queijo. O material passa por etapas de filtragem, concentração e secagem, mas a fabricação de queijo não cresceu no mesmo ritmo da procura pelo suplemento. A estrutura disponível para processar a matéria-prima também limita a oferta, de acordo com Diego Freitas, CEO da Growth.
A maior parte da matéria-prima usada pelas empresas precisa ser importada. Nos Estados Unidos, o valor do whey com 80% de teor proteico quase triplicou em 2025, conforme dados da consultoria Vesper. Não há previsão de redução dos preços.
Entre as alternativas citadas por Werutsky estão a caseína, retirada do leite, a albumina, feita com clara de ovo desidratada, e a proteína isolada de soja. Segundo o especialista, elas têm quantidade de proteína praticamente semelhante à do whey.
A alta também pode estimular a venda de produtos adulterados. A recomendação é comprar de lojas e marcas com boa reputação e desconfiar de valores muito inferiores aos praticados no mercado.
Proteína na alimentação
Frango, carne bovina, peixes, ovos e laticínios são fontes de proteína. Esses alimentos também fornecem carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais; os peixes, por exemplo, têm ômega 3.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda no mínimo 0,8 g de proteína por quilo de peso corporal por dia. Como referência, 100 g de peito de frango contêm cerca de 30 g de proteína. Nutricionistas podem indicar de 1 g a 2 g por quilo ao dia, conforme as características de cada pessoa.
Para veganos, Werutsky recomenda combinar fontes diferentes, como cereais e leguminosas. “Uma possibilidade é combinar cereais e leguminosas, como arroz e feijão.” Ele também cita suplementos de proteína vegetal, como a soja isolada.


