SÃO PAULO — A criação de um sistema nacional de inteligência e a padronização de estatísticas são necessárias para rastrear recursos do crime organizado, afirmou o advogado criminalista Pierpaolo Bottini. A declaração ocorreu durante debate sobre a PEC da Segurança Pública, que prevê um banco de dados com informações sobre grupos criminosos.
Bottini disse que a identificação da origem e do destino dos valores é essencial para enfrentar uma estrutura complexa. “Se não for possível padronizar as estatísticas e criar um sistema de inteligência nacional, não será viável combater essa estrutura complexa e sofisticada”, afirmou.
O ministro da Controladoria-Geral da União, Vinicius de Carvalho, defendeu a proposta como instrumento de combate ao crime organizado. Segundo ele, as organizações criminosas ampliaram sua presença em atividades econômicas formais. A integração de informações permitiria fortalecer investigações sobre lavagem de dinheiro praticada por empresas legítimas a serviço de grupos ligados ao tráfico internacional de drogas.
A proposta discutida no evento prevê reunir dados produzidos pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e por forças de segurança estaduais. Para Mário Sarrubbo, membro do Conselho Nacional de Segurança Pública e Social, a PEC oferece a governança necessária para uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado. “Nós ainda estamos na velha política de aumento de pena e mais prisões, mas precisamos de integração para avançar”, disse.
A criminalista Marina Brecht afirmou que o país vive um momento sensível diante da possível entrada de organizações criminosas em operações formais. Ela defendeu programas robustos de prevenção à lavagem de dinheiro e classificou o risco como generalizado.
O debate ocorreu nesta segunda-feira (14/9), durante a quarta edição do Seminário Brasil Hoje, promovido pela Esfera Brasil em São Paulo.


