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Política

Crise no STF opõe ministros e amplia pressão por regras de conduta

Investigações sobre o Banco Master levaram a pedidos de apuração contra Alexandre de Moraes e André Mendonça e dividiram o tribunal.

Crise no STF opõe ministros e amplia pressão por regras de conduta
Foto: Folhapress

As investigações sobre fraudes ao sistema financeiro no Banco Master desencadearam uma crise no Supremo Tribunal Federal (STF), com disputas entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, divisão no plenário e novas cobranças por um código de ética para a corte.

O caso ganhou dimensão política. A menos de uma semana do ato de 7 de Setembro, aliados de Flávio Bolsonaro passaram a associar críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Moraes. Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Silas Malafaia intensificaram pedidos de impeachment e prisão do ministro.

Lula afirmou nesta sexta (4), sem citar os integrantes do STF, que “ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”.

Relatórios e pedidos de investigação

A crise se intensificou na terça-feira (1º), depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master. Os diálogos indicam que o banqueiro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país.

O material também registra que Moraes fez edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Os dois teriam se encontrado pelo menos seis vezes desde 2024. Para Mendonça, as mensagens indicam que Vorcaro buscava “intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nos respectivos processos decisórios”.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório. Na avaliação dele, Mendonça usou a PF para impor uma investigação contra Moraes sem autorização do plenário do STF. Gonet também aparece citado nas mensagens atribuídas a Vorcaro, mas não comentou publicamente o conteúdo.

Mendonça recebeu Vorcaro em março de 2025, em uma conversa articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira. O ministro afirmou que o encontro tratou de um processo sobre precatórios de interesse do Master e que votou contra o empresário.

Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e INSS. Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem informações em até cinco dias sobre o relatório.

Na sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e o incorporou ao processo que trata das mensagens. A PGR terá cinco dias úteis para se manifestar sobre a admissibilidade, e Mendonça terá outros cinco para apresentar defesa, caso queira.

Divisão no plenário

Fachin defendeu a criação de um código de ética para os ministros, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça. Cármen Lúcia é responsável pela primeira versão do código, que deve ser apresentada depois das eleições.

Luiz Fux é apontado como o único apoio certo a Mendonça no plenário. Moraes tem o apoio de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. As dúvidas envolvem Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e o próprio Fachin, que defendem a implementação de um código de conduta, mas não têm alinhamento irrestrito com o relator do caso Master.

A ala favorável a Moraes quer que Fachin afaste Mendonça temporariamente da condução dos casos Master e INSS durante a apuração. Pessoas próximas a Mendonça rejeitam a proposta e defendem que o fim do inquérito das fake news também seja incluído nas negociações.

Origem dos questionamentos

Os questionamentos sobre o STF começaram em dezembro de 2025, quando Dias Toffoli assumiu a relatoria do caso Master após a defesa de Vorcaro pedir a transferência das investigações para o tribunal, alegando ligação com políticos com foro especial.

Toffoli determinou sigilo máximo ao pedido. Depois, mensagens acessadas pela PF no celular de Vorcaro mostraram conversas dele com Fabiano Zettel sobre pagamentos a uma empresa que tem o ministro como sócio. A corporação apontou conflito de interesses, enquanto Toffoli afirmou que os valores recebidos são lícitos e declarados.

Em 11 de fevereiro, a PF apontou a suspeição de Toffoli como relator. O ministro deixou a função no dia seguinte, após uma reunião fechada de mais de duas horas com os colegas do STF. A supervisão do inquérito foi então atribuída a Mendonça.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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