Os Correios apresentaram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), na noite de sexta-feira (11), um pedido de dissídio coletivo para que a greve dos funcionários seja analisada judicialmente. A empresa também solicita que a paralisação seja considerada abusiva e que o tribunal determine, com urgência, a continuidade dos serviços.
A mobilização começou na noite de quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada nas negociações do acordo coletivo. De acordo com a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios), 35 assembleias aprovaram a greve, por tempo indeterminado.
A federação mantém a orientação para que os empregados permaneçam parados e ampliem a mobilização a partir desta segunda-feira (14). O movimento inclui bases de São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul, entre outras.
O plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes é o principal ponto de divergência. Em comunicado divulgado neste sábado (12), a Findect afirmou: “Nossa luta é justa. Os trabalhadores não estão defendendo privilégios.”
Os Correios dizem que a proposta preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo. Segundo a estatal, o texto também previa a aplicação de 100% do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) sobre salários e benefícios, além da manutenção da assistência à saúde.
As tentativas de mediação conduzidas no TST não terminaram em acordo. Agora, o tribunal deverá avaliar a legalidade da paralisação e as reivindicações dos trabalhadores.
Para reduzir os efeitos da greve, os Correios informaram ter remanejado equipes, deslocado empregados administrativos para atividades operacionais, reforçado a frota e organizado mutirões. A empresa afirma que as agências continuam abertas.
A disputa ocorre enquanto os Correios enfrentam uma crise financeira. No segundo trimestre, a estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões e formalizou um pedido de garantia do Tesouro Nacional para contratar novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados, como parte do plano de reestruturação financeira.

