BERLIM — A Alternativa para a Alemanha (AfD) denunciou o primeiro-ministro Friedrich Merz ao Ministério Público de Berlim por difamação, após ele relacionar as propostas anti-imigração do partido à possibilidade de uma limpeza étnica no país. A informação foi divulgada pelo deputado Stephan Brandner, integrante da sigla.
A denúncia ocorreu depois de um discurso de Merz no Parlamento alemão. Em resposta a uma fala anterior da copresidente da AfD, Alice Weidel, o primeiro-ministro criticou a política de “remigração”, que prevê o retorno de imigrantes aos países de origem.
“Não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica baseada em origem e cor da pele”, afirmou Merz ao descrever o que, em sua avaliação, ocorreria caso a proposta fosse aplicada. Ele também acusou a AfD de apoiar políticas contrárias à União Europeia impulsionadas pela Rússia.
Reação da AfD
Brandner classificou a declaração como um “completo absurdo” e afirmou que a fala foi inaceitável. O deputado também criticou o fato de Merz não ter sido punido pela presidência do Parlamento alemão.
Segundo Brandner, o partido decidiu apresentar a denúncia porque considerou que o primeiro-ministro ultrapassou os limites do insulto difamatório. A AfD também avalia se a declaração violou a obrigação de neutralidade atribuída ao chefe do Poder Executivo. O Ministério Público de Berlim ainda não havia se pronunciado sobre o caso na última atualização.
Em mensagem enviada por e-mail, a AfD acusou Merz de deturpar deliberadamente sua posição para demonizar o partido e afirmou que suas políticas são legais.
A disputa ocorre após a AfD conquistar uma vitória histórica nas eleições estaduais da Saxônia, descrita como a primeira vitória de um partido de extrema direita na era pós-nazismo. A sigla, que defende posições nacionalistas, anti-imigração e contrárias à União Europeia, tenta formar uma coalizão para governar o estado e ampliar sua capacidade de disputar o poder em eleições futuras.

